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A nostalgia de Marcello Quintanilha

Nascido em 1971 em Niterói, o quadrinista Marcello Quintanilha desenha com propriedade um tempo que não foi o seu. Ou parece não ter sido, já que remete à primeira metade do século passado. Mas Quintanilha o faz de uma forma tão excepcional que vai ficando claro durante a leitura de suas histórias que ele pode não ter presenciado aquilo, mas aquele tempo permanece em sua memória. São histórias prosaicas, cotidianas, narradas de uma maneira que se assemelha aos nossos grandes cronistas, como Rubem Braga, figura cara ao quadrinista. Marcello, porém, garante que não segue o trabalho do mestre, insubstituível. “Nem de certa maneira, nem de uma incerta maneira”, afirma. Basta se ater por alguns minutos em seus quadrinhos, contudo, para perceber tal similitude no trabalho do autor de Sábado dos meus amores (2009) e Almas públicas (2011), ambos publicados pela Conrad, que também editou em 1999 Fealdade de Fabiano Gorila, cujas histórias foram reeditadas neste último.

O prosaico do dia-a-dia de certa classe média baixa, popular, está em todo os seus quadros, num traço que exprime um realismo que Aldir Blanc associou ao cineasta italiano Rosselini. São histórias de fanáticos por futebol (“De como Djalma Branco perdeu o amigo em dia de jogo”), ou de jogadores (“De pinho” e “Fealdade de Fabiano Gorila”, esta inspirada na vida de seu pai, que chegou a ser zagueiro nos anos 1950 e teve o sonho de jogar no Fluminense atrapalhado pelo suicídio de Getúlio Vargas), mas não só. Estivadores (“Dorso”), costureiras (“Três minutos de linha”), cobradores de van (“Clarimundo de Melo”), pessoas que trabalham montando e desmontando circo (“A fuga de Zé Morcela!”) compõem o universo deste nostálgico que afirma escrever sobre a própria vida. “As histórias que faço são o que eu sou, basicamente”, afirma na entrevista a seguir. A vida que pode não ter presenciado, mas a que viveu (e ouviu) em Barreto, antigo bairro operário de Niterói, cenário de seus quadrinhos, assim como o Rio de Rubem Braga, ele mesmo personagem de uma curta história que dialoga com a famosa crônica “A borboleta amarela”. Além de Salvador, que o artista teve a oportunidade de conhecer para participar do projeto Cidades Ilustradas, série editada pela Casa 21 e cujo volume saiu em 2005. São contos nem sempre com conclusões claras, ou óbvias. Entre o lírico e o poético, Marcello compõe quadros e retratos tão belos e singelos como nossos melhores escritores, pintores, fotógrafos, cineastas e cronistas, e o faz de uma maneira tão particular que, assim como Braga, também se tornou insubstituível.

O quadrinista já publica há algum tempo, tendo começado nas revistas de terror e artes marciais editadas pela finada Bloch, ainda no final dos anos 1980. Publicou também nas revistas General, Nervos de Aço, Metal Pesado e Zé Pereira, e hoje ilustra para mensais como Trip e VIP, além de fazer capas para a editora Record. Quintanilha mora há quase dez anos em Barcelona, onde trabalha desenhando a série Sept Balles Pour Oxford, com roteiro do argentino Jorge Zentner, para a editora belga Le Lombard, e colabora com os jornais El País e La Vanguardia. Se mudou para ficar mais próximo do roteirista e pouco visita a terra natal. Tivemos a oportunidade de conversar com Marcello Quintanilha no começo de novembro, quando esteve no centro do Rio para autografar seus dois álbuns lançados pela Conrad. Muito solícito e atencioso, o quadrinista bateu um papo com a gente, enquanto recepcionava os amigos e familiares que há muito não o viam e uma pilha enorme ia se formando com os seus álbuns a serem autografados. Confira a seguir a conversa que se desenrolou entre desenhos, abraços e cumprimentos afetuosos, onde ele fala sobre o seu universo e seus personagens, revela que nunca escolheu fazer quadrinhos, o porquê de só escutar rádio AM, a relação com o futebol e os quadrinhos feito para o Estadão em 2010, entre outros assuntos.

 Poderia contextualizar a sua temática? Por que estes personagens e histórias, este universo bem peculiar, de certa classe média baixa, popular?

Marcello Quintanilha. Foi normal, natural. Não sei se tenho uma explicação para isso. Realmente eu não sei. Não posso dizer que comecei a fazer este trabalho, porque isso sempre foi uma coisa muito presente para mim. É uma coisa que sempre tive interesse. É inegável que isso tem muita a ver com o lugar onde nasci, um bairro chamado Barreto, em Niterói, um antigo bairro operário. Então passei toda a minha infância vendo vilas operárias, indústrias e coisas assim, que, com o passar do tempo, foram se descaracterizando, deixando de ter atividade; foram falindo, desaparecendo. E sou muito nostálgico a respeito disso, desse passado que, pra mim – não só pra mim, mas historicamente – teve uma coisa que você pode chamar de apogeu, nos anos 1950, e a partir daí tudo foi decadência. Como já falei em outras ocasiões, as histórias que faço não são sobre o que vejo, observo, porque não acredito nessa ideia da distância do observador e da coisa observada. As histórias que faço são o que eu sou, basicamente. E claro que está ligado ao que algumas pessoas chamam de universo, mas, pra mim, não é um universo, mas a vida normal e corrente. Acho que vem daí, se é que você pode considerar que vem de algum lugar, e não que esteve sempre presente. Mas uma coisa que também preciso dizer é que não se trata de uma escolha, uma decisão. Não sei precisar isso, sabe?, a partir de que momento. Isso sempre esteve aí.

Sobre o título deste teu trabalho mais recente, como definiria, o que representam estas Almas públicas (Conrad, 2011)?
Marcello Quintanilha.
É porque as histórias falam de sentimentos. Basicamente, gosto de criar histórias cuja – entre aspas, entre um milhão de aspas, se você quiser –, “epopeia” se passa dentro da alma das pessoas. Porque é uma forma dessas almas se tornarem públicas, no sentido de que isso se torne público para todo mundo, daí o título.

Como vê a relação dos teus quadrinhos e a proximidade, se é que tem, com a crônica? Qual a importância que ela tem pra você?
Marcello Quintanilha.
Não é que seja importante, é que faz parte da minha vida. As crônicas são uma coisa fundamental pra mim, assim como para a literatura. Existe similitude principalmente no fato de que a crônica parte de um acontecimento real. E se você também parte do mundo real para contar uma história, existe essa aproximação com a crônica. Admiro muito Rubem Braga, por exemplo. E foi fundamental pra mim, para tudo o que escrevo, pela forma como escrevo. Não acredito que Rubem Braga tenha um substituto.

Também acredito que não tenha substituto. Mas e alguém que segue esse trabalho?
Marcello Quintanilha.
É possível que se diga que essa corrente da crônica se perdeu um pouco. Essa magia que Rubem Braga transmitia. Você pode chamar de magia, mas essa… aquele tipo de sentimento se perdeu um pouco. Ou não, se transformou. O tipo de crônica que se faz hoje é diferente, mas mesmo assim continuo sentindo um vazio na crônica.

Tu não te vês ocupando esse espaço, de certa maneira?
Marcello Quintanilha.
Não. Nem de certa maneira, nem de uma incerta maneira.

De maneira alguma? Não vê semelhança entre o que faz com o que ele fazia? Não como algo pensado, querendo fazer isso…
Marcello Quintanilha.
Sim, mas isso não significa ocupar um espaço. Como falei, não acho que exista uma similitude para isso. O trabalho dele está feito, me influenciou muito, foi muito importante para mim. Mas, não, eu não diria isso.

Mora em Barcelona há quanto tempo?
Marcello Quintanilha.
Ano que vem vai fazer dez anos.

E esta mudança foi motivada por motivos profissionais?
Marcello Quintanilha.
Foi por motivos profissionais. Comecei a trabalhar com uma editora belga, chamada Le Lombard, e o roteirista morava em Barcelona. Foi mais fácil pra mim trabalhar nesta série, Sept Balles pour Oxford, estando lá. E, não, se sua pergunta ia por este caminho, não sinto necessidade de estar sempre presente aqui no Brasil. Porque, como falei, as minhas histórias não são o que vejo, o que está diante de mim. São o que está comigo, o que sempre esteve.

Na verdade, ela ia por um outro caminho: qual diferença entre o trabalho que faz para ser publicado lá deste que é publicado aqui? E estas histórias também saem lá fora?
Marcello Quintanilha.
Este trabalho não é publicado lá. Existe uma visão sobre este trabalho lá que o classifica como muito local. As editoras têm dificuldade de colocar isso para o mercado. Não existe uma jurispdrudência para este tipo de trabalho fora do Brasil. Em relação à série para a Lombard, trabalhava com um roteirista, Jorge Zentner, mas estava satisfeito porque é uma pessoa com quem nunca tive nenhum atrito ideológico, o que poderia ser um impecilho em algum momento, mas isso não aconteceu. Ele é argentino, pensamos de forma muito parecida em alguns aspectos. E a história dele é, em grande parte, baseada em fatos e pessoas da família dele, o que foi um ponto favorável.

Curioso que tem uma semelhança com as tuas histórias, que não são da tua família, mas daquele teu universo que comentaste há pouco, de Barreto. E para os editores, isso seria muito local, mas já sobre a família argentina de Zentner…
Marcello Quintanilha.
Mas a história não se passa na Argentina, e sim em Nova York. O que, para muitos editores, soa como universal.

De uns anos para cá, o Brasil e a América Latina têm ocupado um espaço maior e atraído uma atenção maior também. Isso não despertou a curiosidade dos editores: “Ah, e aqueles teus trabalhos sobre o Brasil?” Ninguém perguntou por eles?
Marcello Quintanilha.
Não.

Ainda não?
Marcello Quintanilha.
E não sei se um dia vai aparecer também.

Como funciona o mercado europeu de quadrinhos? O que é peculiar lá? Quais as diferenças para o nosso mercado?
Marcello Quintanilha.
Não é tão diferente. O mercado espanhol é bem parecido com o mercado brasileiro. As tiragens são pequenas, eles tiveram uma retração grande nos anos 1990. Muitos autores trabalham para o estrangeiro, para os Estados Unidos ou para a França. A Itália também tem condições muito parecidas com as do Brasil. Sobre o mercado, ele está muito estabelecido, como você sabe, nos Estados Unidos, na França e Bélgica e no Japão.

Tem acompanhado os quadrinhos brasileiros? O que tem te chamado a atenção aqui? E lá fora?
Marcello Quintanilha.
Acompanho muito menos do que gostaria. Tem coisas boas, muito boas. Mas sou suspeito para falar porque sou um fã impedernido do André Toral, então, para mim, qualquer coisa que ele faça… E também do Lourenço Mutarelli. São meus amigos e pessoas que respeito muito. E fiquei muito feliz quando o Toral voltou a lançar livros. [Toral publicou Os brasileiros (Conrad, 2009) dez anos após Adeus, chamigo brasileiro (Companhia das Letras, 1999)]

Ele ficou um tempo longo sem publicar, né?
Marcello Quintanilha.
Ele estava envolvido com a faculdade, é professor universitário também. Queira ou não, trabalhos assim demandam muito tempo.

Estes dois que tu mencionaste são da tua geração?
Marcello Quintanilha.
Não, eles são mais velhos do que eu, começaram antes. A afinidade não tem nada a ver com a época. André Toral também faz muitas histórias sobre o Brasil. Já o Mutarelli, pra mim, tem temas muito universais. Mas Toral também é universal. Não posso classificar aquilo como local. Mas também tenho afinidade com muitas coisas que não se parecem com o que eu faço. Não acho que isso seja um fator determinante. Gosto de muitas coisas, várias formas de trabalhar, várias técnicas, vários autores.

Fale de mais alguns então que te chamam a atenção, que tem lido atualmente, desde coisas novas até as mais clássicas.
Marcello Quintanilha.
Rutu Modan, uma israelense de quem gosto muito. Gosto muito também de Suehiro Maruo, que fez o Sorriso do vampiro (Conrad, 2006), mas saíram outras coisas dele na Espanha. Gosto especialmente de um dele que se chama Lunatic lovers (Glenat, 2003). Este é o livro. Outras coisas que sempre li, pelas quais sempre me interessei… John Buscema. Aliás, eu faço quadrinhos por causa de John Buscema.

Os quadrinhos dele caíram nas tuas mãos quando era muito novo para despertar essa vontade?
Marcello Quintanilha.
Eu era muito novo, comecei a ler John Buscema em 1984.

E começou a fazer quadrinhos logo em seguida?
Marcello Quintanilha.
Aí que está, eu não decidi que ia fazer quadrinhos. A partir dali, é uma coisa que você começa a pensar, que aquilo ali pode ser realmente a sua vida. Mas quadrinhos sempre fiz, desde que me lembro. Não posso dizer que eu decidi isso ou aquilo em tal época, como e quando. Eu não decidi nada.

Tu mencionaste ainda há pouco que só ouve rádio brasileira AM. Inclusive lá na Espanha? E por que essa predileção?
Marcello Quintanilha.
Inclusive lá, via internet. É a única coisa que consigo ouvir, desde sempre. Não suporto a programação da FM, as músicas. Não suporto que escolham a música que vou ouvir. Nunca, nada. Nem que seja uma música interessante.

É isso que, de certa maneira, te leva a essa nostalgia dos teus personagens? A rádio AM me remete a eles e vice-versa.
Marcello Quintanilha.
Pode ser. É que esta tudo junto. Como falei, é a minha vida. Não suporto a música da rádio. A música interessante deixa de ser interessante a partir do momento em que alguém programou.

E qual música gosta, tem prazer em ouvir?
Marcello Quintanilha.
Tem muitas. Ouço muito rock e muita música brasileira.

E o que mais é referência para ti, para além dos quadrinhos?
Marcello Quintanilha.
Gosto muito de pintores como [Marc] Chagall [1887-1895], que a princípio pode parecer que não tem muita coisa a ver, mas acho que tem tudo a ver. Gosto muito de música, sou muito influenciado por música.

Havias mencionado que ouve música brasileira? Qual música?
Marcello Quintanilha.
Eu não ouço música na AM, mas basicamente a programação esportiva, uma programação popular, da Rádio Globo, como Haroldo de Andrade, essas coisas. A música brasileira é uma das maiores, mas não posso ouvir muito, me afeta demais. Mas gosto muito de Sinhô, Noel Rosa. Sou um fã absoluto da Aracy de Almeida. Esse tipo de música, Francisco Alves. Mas, não, eu não escuto isso diariamente.

Te afeta de que maneira?
Marcello Quintanilha.
Mexe muito, me lembra muitas coisas. Me transporta. Então eu respeito muito este sentimento. Escuto muito rock, que me afeta de outra forma.

Tem referências no teu trabalho, né? Reparei, na primeira história de Alma pública [“Granadilha, os crimes do corpo”], o pôster do [flautista] Patápio Silva [1880-1907].
Marcello Quintanilha.
Patápio é simplesmente magnífico. Aí não tem palavras. Uma música como “Sabão”, por exemplo. [Clique aqui para ouvir a música] Eu não sei definir. E também não sou músico, falo de um ponto de vista de admirador, de fã. É só o que sou, não sou mais nada, especialista em nada. Não sei nada.

Nunca ficou tentado em escrever sobre estes personagens importantes da nossa música, como Sinhô, Noel, Aracy, ficcionalizar a vida deles? Marcello Quintanilha. Não, nunca. Não acredito nisso.

Por quê?
Marcello Quintanilha.
Porque não é uma coisa que ache que eu consiga extrair nada melhor do que da própria realidade. Por isso.

Mas tu não mergulhas na realidade para ficcionalizar?
Marcello Quintanilha.
 Eu vivi. Como falei, estas histórias são a minha vida. Está implícito na mesma ideia, então não tem outra forma de se expressar. Posso dizer que, em alguns momentos, alguns sentimentos adquirem uma dimensão, como no caso de “Dorso” [em Sábado dos meus amores], em que o cara se autoflagela. É porque acredito que todas as pessoas se autoflagelam: nos autoflagelamos quando ingerimos substâncias que não nos fazem bem, quando persistimos em amar a pessoa que nos faz mal, quando nos culpamos etc. Na história, claro, isto adquire uma dimensão física. Mas também acho que é direito de cada um arruinar a própria vida como queira, um direito inalienável.

Tu participas dos eventos de quadrinhos na Europa, circulas pelos festivais?
Marcello Quintanilha.
Fui em alguns. Bom, o de Barcelona, claro. Fui a um em Sierre, na Suíça, fui a outro em Lille (França), a outro na Holanda. Acho magnífico esse contato com o público. As pessoas pensam que elas vão para me ver, mas eu é quem vou para vê-las.

E tu vens com frequência ao Brasil? Como é encontrar os amigos, a família, como agora, essa tua nostalgia?
Marcello Quintanilha.
Venho muito pouco ao Brasil. É magnífico, mas todas essas pessoas estão próximas. Eu não me sinto distante de ninguém. Eu não me sinto nem 10 centímetros longe do Brasil. Estou a 10 horas por propulsão a jato. Não me sinto longe. Estas pessoas estão sempre comigo. Talvez não seja uma resposta muito glamourosa, mas...

Com a pilha de livros a serem autografados crescendo e a chegada de mais e mais amigos e familiares, demos a conversa por encerrada. Mas Quintanilha respondeu ainda a mais duas questões, enviadas por e-mail.

A primeira seria sobre o futebol: O que ele representa, qual a importância que tem em sua vida e para os seus quadrinhos?
Marcello Quintanilha.
O futebol representa um mundo inteiro. Está entre meus temas favoritos. Mas me interesso muito mais pelos bastidores e pelos aspectos humanos que o envolvem do que pelo esporte em si. Trata-se também de um universo indissociável do imaginário brasileiro. Lamentavelmente os times de Niterói têm, digamos, escasso protagonismo nos dias que correm…

A segunda, seria sobre a experiência de trabalhar para um jornal, O Estado de S. Paulo, produzindo quadrinhos semanais. Como foi isso? Realiza ou realizou algo semelhante na Europa? E por que a iniciativa do Estadão [que publicou também semanalmente tiras de Lourenço Mutarelli] não foi adiante?
Marcello Quintanilha.
Minha etapa no Estadãofoi absolutamente maravilhosa. Foram seis meses muito intensos, porque meu interesse era que as tiras saíssem com toda intensidade, toda a carga de uma criação imediata, de forma que trabalhava sempre de um dia para o outro. Estou muito orgulhoso do resultado. O projeto foi descontinuado por uma decisão interna do jornal, que decidiu interromper todo o processo, tanto das minhas tiras como as do Mutarelli ao mesmo tempo.

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