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As filhas do italiano Guido Crepax

Criada para representar a nova mulher surgida nos anos 1960, Valentina reúne erotismo, liberdade, inteligência, sonho e luxúria. Ela surgiu como personagem secundária, mas logo estaria protagonizando não só suas histórias como o trabalho de Guido Crepax, um dos grandes nomes do fumetti (fumaça na tradução literal, mas que designa os quadrinhos) italiano da segundo metade do século passado. E seu protagonismo se deve à sua personalidade afinada com as mudanças pelas quais as mulheres encaravam naquele momento, com mais liberdade – sexual, profissional, entre outras – e uma das mais importante emancipações que elas iriam conquistar depois de décadas de batalha.

Para além de seu poder de sedução, de sua sexualidade bem resolvida e de sua determinação em tomar o rumo de sua vida (e das histórias em quadrinhos que protagonizava), Crepax foi além ao abordar referências das mais variadas vertentes de arte e criar um espaçamento original na página e nos quadros que a formavam. Não tardaria para que ela se tornasse um ícone, permanencendo na memória dos apaixonados pela nona arte, mas não só. Ela extrapolou o universo das HQs para influenciar o cinema (num caminho de volta, já que inspirada na atriz norte-americana Louise Brooks), a fotografia, a moda, a televisão etc.

Caterina Crepax, designer e estilista, não deixa de ser sua irmã, já que filha de Guido. Segundo ela, seu pai foi um dos grandes precursores, um antecipador incosciente do nosso tempo. “Valentina é uma mulher destes anos 2000. Em seu background está sua profissão de fotógrafa, seu estúdio, seu parceiro, seu filho, apesar de não ser casada. Meu pai prestou muita atenção na moda, particularmente em sua esposa Louisa, e Valentina também sempre estava bem vestida. Através das histórias dela você pode acompanhar uma evolução da maneira de se vestir em Milão no começo dos anos 1960 e meu pai estava documentando isso como as revistas francesas como a Elle. Valentina se vestia à francesa no começo, mas nos anos 1970 e 1980 passou  a se vestir mais com o estilo italiano, de Armani, Missoni e muito outros estilistas”, afirmou ela em depoimento a um programa sobre seu pai na RAI italiana.

Caterina sabe o que fala. Ela utiliza as mesmas matérias-primas que consagraram seu pai – papel e sensualidade – para criar roupas e objetos de design. Seus vestidos de alta costura feitos de papel são verdadeiras obras de arte. E sua convivência com Valentina é realmente comparável a uma irmã. Em outro momento ela já disse: “Para mim, ela era da família, pois usava as mesmas roupas de minha mãe, dirigia nosso carro, seu filho tinha os meus brinquedos. Meu pai transferia muitos detalhes de nossa vida cotidiana em seus quadrinhos”.

 

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Um comentário

  1. RioComicon

    Fala sério, esse Rio Comicon promete! Vai ter exposição de originais? Este ano eu não perco por nada.

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