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Edmond Baudoin

Ele deixou a escola aos 16, no final dos anos 1950. Depois de servir ao exército francês e trabalhar como contador, decidiu que não seria possível viver sem desenhar todos os dias. Edmond Baudoin já tinha mais de 30 anos quando decidiu abandonar a contabilidade e um bom salário para virar artista – e não ganhar nada por isso por um bom tempo –, seguindo seu sonho de infância. O pai, também contador, foi sua grande influência: Edmond e o irmão Piero Baudoin desenvolveram o talento artístico influenciados pelo pai. Edmond Baudoin publica seu primeiro livro de histórias em quadrinhos, Le Sentiers Cimentés, em 1981, para, em seguida, produzir cada vez mais e mais, tendo cerca de 50 obras publicadas pelas mais importantes editoras francesas. Sendo a dança uma grande referência em sua obra, produz histórias com seu traço característico que deixa aparente o trabalho do pincel e o movimento do nanquim sobre o papel, seu material preferido (embora comece a flertar, hoje, com a aquarela).
Como ilustrador, trabalhou sobretudo com importantes autores literários, como os francófonos Tajar Ben Jelloun e JG. Le Clézio, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 2008. Foi premiado algumas vezes em Angoulême, por suas obras Couma Acco (Melhor Álbum, 1992), pelo roteiro de Le Portrait (1995) e seu livro Les Quatre Fleuves, roteirizado pela escritora Fred Vargas, recebeu prêmio de melhor roteiro no ano 2000. Na entrevista que segue, Edmond Baudoin, que participa do Rio Comicon 2011, explica o que gosta nas histórias em quadrinhos, fala de suas expectativas sobre o festival e sobre o Brasil e nos manda, de presente, seu desenho de como imagina, poeticamente, o Rio de Janeiro.
Por que quadrinhos?
Edmond Baudoin. Os quadrinhos justapõem duas grandes expressões humanas, o desenho e as palavras, e em um único quadro pode haver três mensagens, por exemplo: um desenho mostrando uma imagem de paz com gansos selvagens no céu, um diálogo falando da guerra e um enquadramento evocando a migração das borboletas.
Quem são seus mestres e referências?
Edmond Baudoin. Goya, Giacometti, Rimbaud, Munoz e Sampayo, Hugo Pratt.
Quais materiais você usa para trabalhar?
Edmond Baudoin. Pincéis, nanquim e papel.
Conhece quadrinistas brasileiros?
Edmond Baudoin. Não, sinto muito, minha viagem vai me permitir de preencher esta lacuna.
Quais suas expectativas para o Rio Comicon?
Edmond Baudoin. Fazer uma viagem para essa vila mítica, Rio de Janeiro, para o país, o Brasil, e sobretudo encontrar mais e mais seres humanos, enriquecê-los se possível com um pouco do que aprendi e me enriquecer deles.
O que lhe vêm a mente quando pensa no Rio de Janeiro?
Edmond Baudoin. Há várias imagens: homens vivendo da pesca, da caça com cordões de ouro em volta do pescoço e respeito por aqueles que os rodeiam, barcos a vela partindo de Portugal com homens ricos de escrita e ávidos de ouro, barcos a vela partindo da África com homens acorrentados a bordo, sangue, mais sangue, e um país que hoje se quer como um exemplo, e que, acredito, faz o que pode para sê-lo.
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